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22-02-2008    
A situação humanitária piora com o aumento das hostilidades no Afeganistão
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está muito preocupado com o agravamento da situação humanitária no Afeganistão. À medida que as hostilidades se espalham e a insegurança aumenta, mais e mais pessoas são forçadas a abandonar suas casas. Também está ficando cada vez mais difícil para o CICV conseguir acesso às pessoas deslocadas por todo o país. Além disso, as temperaturas muito frias e as nevascas afetaram várias áreas e já mataram centenas de pessoas. Leia a entrevista com Franz Rauchenstein, subchefe da delegação do CICV no Afeganistão.

© ICRC
Franz Rauchenstein, subchefe da delegação do CICV no Afeganistão.


Como o CICV vê a situação humanitária no Afeganistão?

O CICV está preocupado com o crescente número de pessoas deslocadas devido ao agravamento das hostilidades entre as forças de segurança – tanto as afegãs como as internacionais – e a oposição armada.

As necessidades humanitárias aumentaram significantemente nos últimos dois anos por todo o país. Além das províncias do sul, grandes áreas do leste e oeste estão agora afetadas pelo conflito armado, totalizando quase dois terços do país atingido pelas hostilidades.

"É difícil ajudar os que foram deslocados. Temos menos acesso a eles agora do que em qualquer momento nos últimos 20 anos e isto é preocupante e frustrante."


Além disso, o forte frio nas áreas central e oeste do Afeganistão já deixou muitos residentes em péssima situação, especialmente nas áreas montanhosas remotas onde as temperaturas caíram bruscamente. Quando a primavera chegar, estas vilas em estado precário terão mais prejuízos com as enchentes.

Como os civis estão sendo atingidos pelas hostilidades?

É impossível estimar o número de civis deslocados pelas hostilidades devido à nossa limitação em chegar até eles, isso faz com que seja impossível ter informações e números concretos.

O deslocamento de grandes números de afegãos está causando tensão nos serviços de saúde e saneamento. Ao serem obrigadas a abandonar suas casas e seus meios de sobrevivência, muitas pessoas deslocadas são forçadas a depender de seus parentes para sobreviver.

Enquanto isso, aqueles que decidiram ficar nas áreas afetadas pelo conflito, enfrentam os riscos de confrontação e intimidação. Por exemplo, os aldeões são abordados pelas oposições armadas durante a noite, com exigências de comida e abrigo. Durante o dia, são questionados, sob a acusação de que ajudaram os opositores. Como resultado, suas casas são destruídas, algumas vezes, deixando-os sem nenhuma outra opção que não seja fugir.

© ICRC / M. Kokic / v-p-af-e-01201
Kandahar, Hospital Mirwais, ala pediátrica.


Aqueles que insistem em ficar devem lidar com uma liberdade de movimento restringida, o que torna uma ida ao mercado difícil. Também é complicado levar os feridos e doentes das áreas remotas para os centros de saúde e hospitais.

De que maneira o trabalho do CICV tem sido afetado pela propagação da insegurança?

É difícil ajudar os que foram deslocados. Temos menos acesso a eles agora do que em qualquer momento nos últimos 20 anos e isto é preocupante e frustrante.

A insegurança constante, agravada pela presença de grupos criminosos nas áreas atingidas pelo conflito, está dificultando o movimento seguro do CICV pelas ruas.

Como uma organização estritamente neutra, independente e humanitária, o CICV mantém contato com todas as partes envolvidas no conflito armado. Pela nossa experiência, este é o caminho mais claro para chegar até os necessitados... mas não está sendo nada fácil.

Graças à Sociedade do Crescente Vermelho Afegão, podemos dar apoio na distribuição de assistência alimentícia e não-alimentícia para as pessoas em várias áreas, mas é um trabalho arriscado para eles também e não podemos levar ajuda a todos os lugares que precisam. O CICV também ajuda nas instalações médicas, programas ortopédicos e projetos de água e saneamento em várias áreas do país.

O que o CICV tem a dizer sobre as detenções no Afeganistão?

© ICRC / M. Kokic / v-p-af-e-00918
Kandahar, prisão central. Um representante do CICV visita um prisioneiro na seção juvenil.

O agravamento do conflito aumentou dramaticamente o número de detidos. Este número foi mais do que duplicado nos últimos dois anos, aumentando de aproximadamente 5.000 para 13.000. Eles são mantidos em prisões e centros de detenção projetados para acolher um quarto deste número.

O CICV visita os detidos relacionados ao conflito para avaliar suas condições de detenção e tratamento. Devido ao fato de não termos acesso a todas as partes do país, nós não conseguimos visitar todas as prisões, mas sabemos que muitas delas estão superlotadas.

O CICV também visita os prisioneiros mantidos pela Força Internacional de Segurança e Assistência e pela coalizão liderada pelos EUA, incluindo a Prisão Temporária de Bagram. O CICV mantém um diálogo bilateral e confidencial com as autoridades sobre as condições de detenção, tratamento e respeito pelas garantias judiciais básicas.

Quando necessário, a organização também ajuda as autoridades carcerárias afegãs na construção ou reabilitação de instalações sanitárias nos centros de detenção.

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22-02-2008