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18-01-2007 Entrevista Somália: feridos de guerra apresentam desafio diferente para hospitais O Hospital Keusaney é um centro de 65 leitos que está operando normalmente e fica localizado na região norte de Mogadiscio, que tem o apoio do CICV desde 1992. Em entrevista para o site do CICV, o diretor do hospital, Yusuf Mohamed Hassan, descreve a luta diária para manter os feridos de guerra no hospital até que eles sejam medicados de forma a não mais correr perigo. © CICV / P.Yazdi
Yusuf Mohamed Hassan (à direita), diretor do hospital de Keysaney, com o Dr. Ahmed M. Hassan, presidente do Crescente Vermelho Somali.
O CICV fornece a instalação, que é equipada com centros cirúrgicos, um laboratório, farmácia e serviços para receber pacientes que não estão internados, salários para as equipes, apoio para a manutenção e a infra-estrutura, e treinamento para os médicos e o pessoal técnico. Depois dos recentes combates na Somália, o hospital, que é dirigido pela Sociedade do Crescente Vermelho Somali, recebeu 144 combatentes e civis feridos pelas armas.
Como o senhor descreveria a situação em Mogadiscio? Mogadiscio é um lugar difícil para se viver e a situação é muito volátil. Muitas armas circulam pela cidade. A Somália ainda é um dos países com o maior número de pessoas que, todos os anos, são feridas por armamentos. Desde 1992, o Hospital Keysaney já tratou de mais de 60 mil pessoas com ferimentos à bala. O senhor ainda recebe pacientes feridos pelas armas? Todos os dias recebemos mais de dez pacientes que sofrem dos ferimentos infligidos por tiros ou pelas explosões de granadas e outros dois ou três que foram feridos de outra forma. Durante os recentes combates, a maioria dos feridos era de combatentes, no entanto, agora com muita freqüência há também civis, até mulheres e crianças, pegos em meio aos combates ou feridos em razão dos crimes, das pilhagens ou roubos. Para dar um exemplo, meu tio foi cercado em seu carro. Os assaltantes atiraram nele e a bala ficou no seu corpo. Ele está sendo tratado no Keysaney agora. Felizmente não corre perigo de vida. © CICV / P.Yazdi / v-p-so-e-00180
Hospital Keysaney, em Mogadício, capital do país.
Qual é o maior desafio quando se trata de feridos por armamentos? Tecnicamente estamos muito bem preparados. Temos todas as qualidades necessárias, o equipamentos e os medicamentos. A maior parte do nosso pessoal trabalha no hospital há 16 anos. Eles parenderam a viver com a realidade na Somália. Todas as manhãs quando as enfermeiras e médicos vêm trabalhar, e esperam receber os pacientes feridos. Algumas pessoas já foram tratadas várias vezes. Nosso trabalho consiste em garantir que eles recebam o melhor tratamento, seja se eles precisarem de nossa ajuda apenas uma vez, seja se precisarem de nós dez vezes. O maior desafio é convencer os feridos a ficarem no hospital até que eles estejam curados. Estimamos que cerca de 500 pacientes com ferimentos que ainda não cicatrizaram totalmente estão espalhados por Mogadiscio e pelas cidades vizinhas. Eles deixaram o hospital cedo demais. Muitos temiam ser presos. Se não tiverem o tratamento adequado podem morrer, especialmente os que têm ferimentos graves tais como na região abdominal. Alguns deles voltaram para o hospital? Nos últimos dias recebemos vários feridos que já haviam sido admitidos antes. Espero que todos voltem. Nos anúncios transmitidos pelo rádio, as autoridades garantem aos pacientes feridos de guerra que eles não devem ter medo de serem molestados ou presos enquanto estão em tratamento em clínicas ou hospitais. Felizmente, nosso hospital é bem respeitado. As pessoas sabem que nosso pessoal não faz nenhuma discriminação em relação aos pacientes. As enfermeiras e médicos não se importam com quem é o paciente. O foco é no que a pessoa precisa e é assim que eles cuidam dela. Todas as partes em Mogadiscio respeitam a neutralidade do hospital.
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