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8-04-2008  Entrevista  
Chade: adaptando a assistência para atender às necessidades específicas dos deslocados no leste
Depois do fracasso da ofensiva à capital chadeana, N'Djamena, no começo de fevereiro, continuam os confrontos cada vez mais freqüentes entre os grupos de oposição armados e o Exército no Chade. A violência entre as comunidades no leste do país também continua. Após voltar de uma visita ao Chade, o vice-diretor de operações do CICV, Dominik Stillhart, descreve a atual situação humanitária e, particularmente, a abordagem adotada pelo CICV para levar assistência ao leste do país.

©ICRC
Dominik Stillhart

Como o senhor descreveria a atual situação humanitária no Chade?

A tendência observada no final do ano passado indicando confrontos mais freqüentes entre os grupos de oposição armados e o Exército parece continuar: houve uma ofensiva fracassada à capital chadeana, N'Djamena, no início de abril, e combates em torno da cidade de Adé, no leste, no começo de abril.

No entanto, o conflito armado não-internacional entre o governo e os grupos de oposição armados atinge menos civis que a violência localizada entre as comunidades registrada no leste, como por exemplo na região de Dar Sila e em parte do norte de Assoungha. As forças de segurança nacional estão freqüentemente ausentes dessas regiões, e as condições perigosas reduzem o acesso das organizações humanitárias. Isto torna mais difícil que o CICV garanta o acesso à assistência humanitária adequada às pessoas atingidas pelos combates.

O senhor acaba de voltar de uma visita ao Chade que incluiu a região leste. Como é a situação da segurança?

A situação da segurança no leste ainda é volátil. Apesar disso, algumas pessoas optaram por voltar para casa, seja temporariamente, quando se deslocam entre seus vilarejos de origem e os locais destinados aos deslocados, ou de forma permanente. No entanto, está claro que muitos desabrigados não querem voltar para casa, ou não podem fazê-lo, principalmente por causa do perigo. As pessoas deslocadas que não puderem voltar para casa em breve terão de encontrar uma maneira de se instalar em suas novas comunidades e satisfazer às suas necessidade sem precisar de ajuda humanitária.

Na região de Dar Sila, por exemplo, a maioria das pessoas precisou deixar seus povoados por causa dos combates entre as comunidades rivais. As famílias deslocadas desta região estão entre as menos inclinadas a voltar para casa. No norte de Assoungha, pelo contrário, continuam as tensões e as necessidades da população estão aumentando, mas a situação não levou os civis a abandonar suas casas.

O que o CICV está fazendo para ajudar as pessoas atingidas pelo conflito?

O CICV está tentando adaptar as atividades de assistência e proteção para a situação no terreno. Se, por um lado, é verdade que em algunas regiões como Assoungha as pessoas começaram a voltar para seus vilarejos, isto não significa que todos os deslocados podem voltar para casa.

Equipes do CICV no leste do Chade estão se preparando para distribuir sementes e comida para atender às necesidades das comunidades rurais durante o período de três meses antes das colheitas de outubro e novembro. O CICV vai prestar assistência para as famílias em Assoungha e Dar Sila, e para cerca de 300 famílias que voltaram da região de Borota e outras 1.400 que retornaram para Kawa, no norte de Assoungha. No total, quase 57 mil pessoas vão receber sementes, instrumentos agrícolas, cereais, feijão, óleo, açúcar e sal.

Quais são as particularidades da assistência do CICV no leste do Chade?

Em primeiro lugar, o CICV tenta evitar os deslocamentos assistindo as pessoas em seus vilarejos de origem. Nos lugares onde o deslocamento já aconteceu, trabalhamos perto dos povoados de origem da população deslocada a fim de oferecer a possibilidade de que ela retome o trabalho em seus campos e se torne auto-suficiente. Não queremos que a nossa assistência se prolongue e também não desejamos encorajar o deslocamento.

Em segundo lugar, desde que a situação seja suficientemente segura, o CICV apóia o retorno voluntário dos deslocados por meio de programas planejados para suas necessidades específicas, tais como projetos agrícolas e ajuda para a melhoria dos sistemas de irrigação.

Em terceiro lugar, o CICV tem uma abordagem neutra e independente em relação às vítimas. Na qualidade de uma das poucas organizações humanitárias capazes de ter acesso às áreas rurais, podemos avaliar e atender às necessidades de forma adequada, incluindo as dos moradores, quando é preciso. Todas as nossas avaliações incluem a análise dos casos a fim de averiguar se as pessoas sofreram violações do Direito Internacional Humanitário e se precisam de proteção.

©ICRC/T. Gassmann/td-e-00478
Acampamento para pessoas deslocadas internamente em Arkoum, Chade oriental.
©ICRC/T. Gassmann/td-e-00411
Goungor, Chade oriental. Um delegado do CICV e um funcionário local conversam com um beneficiário do programa de segurança econômica do CICV.
©ICRC/T. Gassmann/td-e-00432
Borotha, Chade oriental. Mulheres e crianças vêm buscar água, no final do dia, em um poço que foi reabilitado pelo CICV.


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8-04-2008