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14-08-2008  Relatório de operações  
Chade: CICV presta assistência básica para os deslocados internos que estão voltando
A instabilidade que predomina há anos no leste do Chade continua a prejudicar as chances de as pessoas deslocadas nesta região voltarem para casa, como também a segurança das organizações humanitárias que as assistem e protegem. Mesmo assim, apesar deste contexto, o CICV continua a trabalhar para ajudar os deslocados.

Situação humanitária

Por meio do diálogo bilateral com todas as partes no conflito, a organização conseguiu obter acesso às áreas onde os debilitados mecanismos de sobrevivência das pessoas são caracterizados pela ausência de autoridades administrativas e militares e onde, às vezes, o CICV é a única organização presente, como no caso do norte de Assoungha.

O mês de junho foi marcado por confrontos armados entre, de um lado, a Aliança Nacional – uma coalizão de grupos de oposição armados – e as UFCD, e de outro, as forças armadas chadeanas. Os confrontos em áreas desabitadas envolvidas nesta confrontação resultaram em numerosas vítimas incluindo civis, embora não seja possível ainda citar números precisos, tendo em vista os muitos teatros de operações.

Diversificando as abordagens a fim de manter a capacidade da produção doméstica

O CICV continua seus esforços para oferecer ajuda emergencial para as pessoas atingidas pela violência armada. Embora a insegurança reinante ainda esteja impedindo o retorno, quase 2.115 famílias deslocadas começaram a voltar para o sul de Assoungha.

Desde o segundo semestre de 2007, a estabilidade na região permitiu que muitas famílias da região fronteiriçca de Borota pudessem voltar para casa e para suas terras. Este retorno voluntário também foi motivado pela oportunidade de cultivar grandes áreas em seus vilarejos de origem. Porém, apesar do fato de haver terras agrícolas à disposição, muitas famílias precisaram de apoio a fim de se preparar para o próximo ano agrícola. Mais ainda, o fato de que milhares de famílias estejam voltando significa que as casas precisam de reparos, de forma que as famílias possam se instalar em condições decentes, uma vez que a estação chuvosa está chegando.

O CICV desenvolveu programas para apoiar o retorno, quando as condições de segurança o permitirem, oferecendo às famílias em questão instrumentos agrícolas, além de sorgo, milho miúdo e sementes. Uma boa colheita deve permitir que a população em questão possa fazer frente às necessidades básicas, até a próxima colheita, e dessa forma, ajudar essas famílias a, aos poucos conseguir novamente auto-suficiência na produção de alimentos.

Além disso, em maio e junho foram distribuídas rações de comida por 90 dias para todas as famílias que moram na área de retorno, a fim de dotá-las de estoques de comida até a colheita.

Em maio de 2008, mais de 2 mil famílias na área de retorno de Borota receberam esta ajuda sob a forma de sementes, instrumentos agrícolas, rações de comida e utensílios. Uma segunda ração foi distribuída em junho para 2.192 famílias que haviam voltado para a mesma área.

Continua a ajuda aos campos de deslocados internos

Apesar desta tendência favorável, ainda há 1.975 famílias morando nos campos para deslocados internos, como Arkoum, Goundiang e Hille Deye, no sul de Assoungha. Embora a situação de deslocamento deste grupo tenha se prolongado, essas famílias têm acesso à terra, seja nas regiões que as abrigam ou em seus povoados de origem.

Um dos principais desafios no fornecimento de ajuda em um contexto de grande variedade como o Chade é desenvolver uma abordagem coerente para apoiar a volta das pessoas e, ao mesmo tempo, levar em conta as necessidades das famílias que permanecem nos campos e respeitar a decisão delas de, por enquanto, não voltar para casa. No entanto, é essencial ter em mente que, o fato de a ajuda humanitária estar ou não sendo providenciada, não deve ser um fator determinante na decisão de retornar. Ao diversificar sua resposta com base na análise das necessidades e no bom conhecimento da situação, o CICV se esforça para desenvolver programas de não contribuam para que não haja um prolongamento artificial da situação de deslocamento e que respeite as decisões dos grupos em questão.

As pessoas deslocadas receberam, portanto, a mesma ajuda para o próximo ano agrícola que a recebida pelas famílias nas regiões de retorno, com vistas a fomentar a produção e reduzir sua dependência com relação à ajuda humanitária.

  • em maio de 2008, 1.975 famílias deslocadas em Arkoum, Goundiang e Hille Deye receberam kits de sementes e instrumentos agrícolas. Esta ajuda para o ano agrícola de 2008 teve a adição de uma ração de comida de 30 dias. Além disso, em Adé (na região de Dar Sila), onde o CICV é o único ator humanitário operando na área de segurança alimentar, a organização adotou a mesma abordagem que em Assoungha, com vistas a apoiar a produção familiar, e já distribuiu sementes, instrumentos agrícolas e rações de comida para 3.250 famílias de deslocados em maio.
  • em junho de 2008, foram distribuídas rações de comida para 60 dias para 3.191 famílias deslocadas em Adé e Charoub Tama, e para 2.010 famílias deslocadas no sul de Assoungha.

Finalmente, o CICV continuou a monitorar as atividades dos grupos que cultivam hortas com o objetivo de comercializar a produção, envolvidos nos projetos de produção de Dogdoré, em Dar Sila.

Efeitos da insegurança no estilo de vida e na produção dos grupos populacionais nômades e semi-nômades

A deterioração das condições de segurança no leste do Chade também está atingindo as pessoas que dependem da criação de animais para a sobrevivência, uma vez que, a fim de evitar as zonas tensas, elas estão se dirigindo para regiões cada vez mais distantes dos centros urbanos e, assim, também dos serviços veterinários que são tão cruciais para seu estilo de vida, alimentação e segurança econômica. Os serviços veterinários localizados na área fronteiriça também estão prejudicados pela instabilidade e têm dificuldade em chegar até os rebanhos.

Neste contexto, o CICV manteve seus programas para melhorar a saúde veterinária. Trabalhando em parceria com os serviços veterinários chadeanos, a organização contribuiu para o treinamento oferecido para 61 assistentes veterinários nas regiões de Dar Sila e Dar Zaghawa e doou 18.250 vacinas contra as principais doenças animais para o centro veterinário Goz Beida, com vistas a evitar epidemias que podem dizimar os rebanhos e, dessa forma, acabar com a fonte de renda de muitas famílias.

Essas medidas permitem que 3.050 famílias que dependem principalmente ou totalmente dos rebanhos para a sobrevivência melhorem a saúde de seus animais, reduzam a taxa de mortalidade e melhorem a qualidade dos produtos animais (carne, gordura, leite).

Outros projetos conduzidos pela delegação do CICV

O CICV:
  • consertou o encanamento de água nas cidades de Adé, Adré e Iriba;
  • construiu dois poços nas áreas rurais de Dar Sila e Assoungha;
  • limpou 12 poços abertos em Adré e no sul de Assoungha.

Assistência às vítimas da guerra

O CICV:
  • ofereceu apoio estrutural (consertos, obras) e ajuda material (remédios, curativos, etc) para quatro centros de saúde em Assoungha (Arkoum, Borota, Goungour e Kawa);
  • treinou 95 parteiras em Borota, Goungour e Kawa;
  • vacinou 6.192 crianças de 1 a 14 anos contra sarampo.

Protegendo a dignidade e integridade dos civis

O CICV:
  • visitou 1.063 detidos em 33 locais de detenção;
  • continuou seus esforços para ajudar as famílias a localizar 405 crianças desacompanhadas ou crianças que ficaram separadas de suas famílias, 26 casos estão associados com grupos e forças armadas;
  • acompanhou 12 solicitações de buscas vindas do Sudão, 62 provenientes do Chade e 2 efetuadas pelo CICV ou por uma Sociedade Nacional em terceiros países;
  • trouxe de volta a seus pais, residentes no Sudão, seis crianças envolvidas com a organização Arca de Zoé.

Evitando a violação do Direito Internacional Humanitário

O CICV:
  • organizou sessões de divulgação em todo o país para quase 260 funcionários e NCOs da ANT, da polícia civil e da guarda nacional nômade do Chade, e a força nacional de polícia. ? ofereceu apoio de instrução para o ensino do DIH na faculdade de treinamento de instrutores de DIH e na Universidade Abéché.
  • participou do treinamento oferecido pela MINURCAT aos membros do Destacamento Integrado de Segurança.

Cooperação com a Cruz Vermelha do Chade

O CICV continua com seus esforços para apoiar a Cruz Vermelha do Chade em preparação para a gestão de tragédias, disseminação dos princípios fundamentais e restabelecimento de laços familiares.


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14-08-2008