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11-12-2007  Entrevista  
Colômbia: melhorando o acesso das pessoas deslocadas à educação, trabalho e moradia
Entrevista com Christina Oberli, coordenadora do projeto de segurança econômica para a delegação do CICV na Colômbia.

Christina Oberli dialoga com uma mulher deslocada.

Como o CICV enxerga o problema das pessoas deslocadas na Colômbia?

Muitas pessoas vítimas do conflito armado na Colômbia tiveram de fugir para salvar a vida e abandonaram suas casas a fim de escapar das ameaças e dos violentos confrontos entre os grupos armados, entre outras coisas. De acordo com as estatísticas oficiais, há pouco mais de dois milhões de deslocados.

Aqueles que fugiram foram obrigados a abandonar suas famílias, amigos e bens (tais como a terra, as colheitas e os animais) e tiveram de começar a conviver com um novo ambiente social em um centro urbano, onde o seu status de pessoas deslocadas lhes oferece poucas oportunidades. Isto tem levado a situações extremamente difíceis, nas quais as mães solteiras e as crianças são as mais duramente atingidas. Em resposta a esta situação, o governo e as organizações nacionais e internacionais estão fazendo grandes esforços para melhorar as condições de vida dessas pessoas.

Como parte de seu trabalho na Colômbia, o CICV já ajudou mais de 1 milhão de pessoas, fornecendo-lhes comida e produtos domésticos, tanto diretamente, por meio de seu programa de proteção e assistência humanitária emergencial, como por meio de projetos conduzidos em cooperação com a Cruz Vermelha Colombiana e a Agencia Presidencial para la Acción Social y la Cooperación Internacional.

Qual é o objetivo do estudo apresentado pelo CICV e o Programa Mundial da Fome (WFP)?

O CICV e o WFP esperam que os resultados trazidos no estudo levem a uma maior conscientização sobre a situação e as necessidades a serem atendidas pelos vários grupos que assistem a população deslocada neste país. As duas organizações esperam que o governo nacional e os governos municipais e departamentais, as organizações não governamentais nacionais e as organizações internacionais, o setor privado, a sociedade civil e as organizações para os deslocados (que estão ativamente envolvidas no debate nacional sobre esta questão) vão juntar forças e investir seus recursos a fim de oferecer uma assistência melhor e mais abrangente.

Quais são as contribuições que este estudo pode trazer para melhorar a assistência para os deslocados?

Baranquilla. Casa de uma família deslocada.

A análise efetuada no estudo revela que apesar dos grandes esforços feitos pelos governos locais e o nacional a fim de melhorar as condições de vida da população deslocada, os problemas ainda ocorrem durante as diferentes fases do processo de assistência. A pesquisa faz as seguintes recomendações:

  • As barreiras que atingem o acesso ao ensino da alfabetização e à educação básica para adultos devem ser enfrentadas como uma parte integral da assistência humanitária emergencial, através do processo de assistência, e também por meio de outros mecanismos para lidar com os baixos níveis de educação, como escolas para os pais. Deve-se trabalhar para remover os obstáculos que incluem o custo do equipamento, uniformes, transporte e até as taxas escolares, em muitos casos.
  • Deve haver mais ênfase nos programas de responsabilidade social corporativa, onde o objetivo comum é construir redes que favoreçam o desenvolvimento de micro-empresas que gerem capital, ao invés de ser apenas um meio de subsistência, e os processos de emprego que atraiam as pessoas para o mercado de trabalho e para o mercado de bens e serviços, para adquirir experiência de trabalho e eventuais contratos de trabalho.
  • Deve haver mais acesso para subsídios que melhorem a moradia, a melhoria dos bairros, e a mudança de casas para outros lugares, nos casos em que elas estão situadas em áreas de alto risco.
  • Devem ser lançados programas de saúde sexual e reprodutiva nos distritos das cidades onde os deslocados estão vivendo; eles devem incluir apoio psicológico e social.
  • O apoio psicológico e social oferecido pelas principais agências deve ser melhor coordenado e mais eficiente a fim de fazer frente ao estado emocional das famílias (tanto como indivíduos como unidades familiares) e do grupo social. O apoio psicológico e social deve ser abrangente e ter uma abordagem holística, e deve incluir esforços para ajudar os funcionários públicos (para questões logísticas, condições de trabalho e bem estar emocional) a oferecer às pessoas a melhor assistência possível.
  • Devem ser colocados em ação sistemas eficientes para proteger as propriedades abandonadas pelas pessoas deslocadas e fornecer compensação, de forma que aqueles que ficaram privados de seus bens possam reaver seu capital rapidamente.

Os resultados estatísticos do estudo também podem servir como parâmetro e o índice de qualidade de vida pode ser usado para monitorar o desenvolvimento das políticas públicas. Além disso, os componentes do SNAIPD (Sistema Nacional de Atención Integral a la Población Desplazada) podem ser acrescentados ao quadro organizacional (que é apenas um primeiro esboço). Isto ajudará a identificar mais agências, suas responsabilidades e recursos e vai melhorar a coordenação entre os diferentes grupos que assistem à população deslocada.


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